Dou por mim a pensar imensas vezes isto "Sou do tempo em que..." e depois completo de acordo com a situação.
Por exemplo:
"Sou do tempo em que um happy meal custava 500$."
"Sou do tempo em que havia anúncios a dizer 'Sou do tempo'."
Percebem a lógica?
Ora, isto para vos contar o que me aconteceu ontem. Tive que ir a um sitio, mais concretamente a uma loja, buscar uma coisa (não sejam cuscas, conto-vos depois). E apesar de saber que estava certa do caminho, certa da rua, certa do local... perdi-me. Quer dizer, não me perdi, eu sabia exactamente onde estava, a loja é que não estava lá!!
Oh, logicamente eu sabia que me devia ter enganado e que estava pertíssimo. Como havia ali um quiosque resolvi lá ir perguntar. O pessoal dos quiosques sabem sempre tudo (e era lá ir ou gastar dinheiro do telemóvel a ir ao maps e possivelmente nem funcionar).
Bem, lá fui e perguntei pela dita rua. O rapaz não percebeu e eu até mandei a dica de que era a rua como o torre (hão-de perceber). Ora, ele ficou na mesma e eu já me preparava para dizer "bem eu vou tentar procurar, obrigada" ate que....... o rapaz me passa o tablet/Ipad ou seja lá o que for, aberto no maps e diz-me "Olhe, procure aí". Eu, radiante de alegria porque era mesmo aquilo que eu precisava, lá pesquisei e vi que estava certíssima do sitio... mas na rua ao lado.
Agradeci e fui ao sitio.
Isto tudo para quê? Para vos dizer que fui o caminho todo até ao sitio (apenas uma rua, portanto) a pensar "Caraças, eu ainda sou do tempo em que se davam indicações com os braços, não se passavam tecnologias para as mãos das pessoas"!
Bem, mas lá que deu jeito, deu um jeitaço!
sexta-feira, 8 de março de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
Ando a matutar nisto há dias
Já li vários blogues a dizerem que não gostam de histórias tristes, não perdem tempo a ler as tristezas, as mágoas dos outros.
No entanto por norma, quando eu escrevo as minhas histórias tristes, as minhas mágoas, é quando o blog tem um pico de "audiências".
Analisando bem a coisa, chego à conclusão egoísta que as pessoas têm esperanças ao ler histórias tristes, dramáticas, depressivas. A esperança de que haja vidas piores que as delas.
Eu quando leio uma história triste comovo-me. Fico solidária com a história. Mas depois penso "E eu ainda me queixo, quando devia agradecer o que tenho".
Então afinal o que é que as pessoas querem? O que é que vocês, leitores querem?
Um bom drama é sempre bom. Por isso é que as pessoas compram o "Correio da Manhã".
No entanto por norma, quando eu escrevo as minhas histórias tristes, as minhas mágoas, é quando o blog tem um pico de "audiências".
Analisando bem a coisa, chego à conclusão egoísta que as pessoas têm esperanças ao ler histórias tristes, dramáticas, depressivas. A esperança de que haja vidas piores que as delas.
Eu quando leio uma história triste comovo-me. Fico solidária com a história. Mas depois penso "E eu ainda me queixo, quando devia agradecer o que tenho".
Então afinal o que é que as pessoas querem? O que é que vocês, leitores querem?
Um bom drama é sempre bom. Por isso é que as pessoas compram o "Correio da Manhã".
terça-feira, 5 de março de 2013
Mais aleatoriedades
* Apanhei uma molha e soube-me pela vida.
* A chuva ajuda a lavar a alma.
* A solidão é mais dura que um bloco de cimento em cima do nosso dedo mindinho do pé.
* As "noticias" que agora estão na moda sobre cocó na comida não são novidade para quem estudou microbiologia alimentar e leva-me a crer que o pessoal é super impressionável. (Aliás já vos tinha avisado aqui)
* Isto de poder ver televisão até 7 dias atrás é maravilhoso!
* A chuva ajuda a lavar a alma.
* A solidão é mais dura que um bloco de cimento em cima do nosso dedo mindinho do pé.
* As "noticias" que agora estão na moda sobre cocó na comida não são novidade para quem estudou microbiologia alimentar e leva-me a crer que o pessoal é super impressionável. (Aliás já vos tinha avisado aqui)
* Isto de poder ver televisão até 7 dias atrás é maravilhoso!
segunda-feira, 4 de março de 2013
Ditos da população
Há quem diga que "Em tempo de guerra, não se limpam armas". Aqui em casa o dito é: "Em tempo de chuva não se lava roupa".
sexta-feira, 1 de março de 2013
Parte daquilo que sou hoje (resumido)
Desde que nascemos que exigem sempre mais de nós do que deveria ser esperado. Um dos temas/perguntas que começamos a ouvir assim que aparecemos na primeira ecografia é: "O que é que queres ser quando fores grande?". É uma pergunta que à medida que vamos crescendo vai tomando uma conotação cada vez mais pesada, cada vez mais importante. Há pais (tenho um caso muito próximo na familia, a quem chamo de Daddy) que levam a pergunta muito a sério mas ainda mais as respostas.
Desde que me lembro já quis ter quase todas as profissões. Entre os 4 e os 5 anos queria ser professora, cabeleireira e veterinária. Aos 6 quis ser cantora (lembram-se do post do cd da Daniela Mercury?). Aos 8 voltei a querer ser professora. Foi um desejo tão forte que me juntei a uma amiguinha, pegá-mos em giz e fomos escrever contas na parede da escola. O desejo passou quando 15 minutos depois a sra. "contina" me foi chamar à sala e me obrigou a limpar a parede. Acho que esse trauma me apagou desejos de profissões durante uns anos porque salto agora para os 13 anos. Em que decidi que ia ser educadora de infância. Outra vez tive um desejo tão forte que fui ao jardim infantil da terrinha pedir emprego. Ao que amavelmente me disseram "neste momento não precisamos de ninguém...".
Depois comecei a beijar rapazes e esqueci-me das profissões. Depois pus aparelho e (coincidentemente, claro) voltei a ter tempo para pensar em profissões.
Aos 14 disse que o meu sonho era ser pasteleira. O meu pai torceu o nariz mas aceitou. Mas os meus pais têm um defeito terrível que é "inicias um tema levas com ele até à exaustão". O que levou a que falassem com um amigo de uns amigos para me levar à fabrica de doces regionais da qual ele era dono, para ver o quãodifícil fixe era. Desisti porque não gosto que me macem continuamente com uma assunto. Disse simplesmente que ainda tinha tempo para pensar.
Aos 15, quando passei para o 10º ano, escolhi ciências apesar de ter feito um daqueles testes de aptidões ou lá o que é e me ter dado claramente e com muita vantagem Artes. O que eu queria mesmo, mesmo, mesmo era... ser bióloga marinha. Nadar e fazer festas com os golfinhos (só, porque era mesmo isso que se resumia a minha definição de "bióloga marinha"). Claro que quando temos 15 anos e passamos para o secundário as coisas tornam-se mais sérias do que quando se tinha 5 anos. E o meu pai levou isso muito a sério.
Aos 16, a meio do segundo período do 11º ano comecei a pensar que para nadar e fazer festas aos golfinhos podia pagar 120€ (na altura, nem quero saber quanto será agora) e ir ao Zoomarine. Portanto, será que eu estava mesmo a seguir bem? Ciências, eu que sou um zero a matemática, física-química... Toca a fazer outro teste de aptidão. Que por acaso e com grande vantagem dá... artes! Espantem-se! E o que é que eu decidi? Voltava ao 10º ano, estudava artes e depois logo "enveredava" por um caminho mais propício à minha pessoa. Fui linchada. "Aiii que agora vais mudar! Quase no fim!! E vais desperdiçar dois anos!!". Foi o Daddy e foi a "minha melhor amiga". Aquela que me dizia a gozar e com desdém que os psicólogos só servem para os meninos betinhos e fraquinhos que não sabem resolver os seus problemas sozinhos. Puta.
Continuei em ciências. Não gosto de ferir susceptibilidades. Cheguei ao 12º com 8 a matemática e 8 a física-química (e a vontade de escrever fisicóquimica?). Disse que não ia fazer matemática nesse ano, ia descansar essa disciplina e concentrar-me noutras como a tal F-Q, a biologia que eu até gostava (quando se tem bons professores é impossível não se gostar de determinadas disciplinas), português (o medo, o horror, a tragédia por causa dos exames). Acabei o 12º com 3 a F-Q, 15 a biologia, 13 a Português e boas notas no resto das disciplinas. Implorei aos meus pais para me deixarem vir para Lisboa estudar matemática. É aqui que mora a "minha melhor amiga" - puta. - e a minha vida dependia disso. E porque o que eu queria mesmo, mesmo, mesmo ser era... cozinheira! E como até há uma escola muito boa aqui (AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA - é uma private joke entre mim e os dois últimos anos da minha vida) era já caminho andado para me mudar para cá. Eu morria se não viesse. E os meus pais - os pais mais fixes do mundo - deixaram. Vim morar sozinha aos 17 anos. Inscrevi-me em matemática e F-Q. Eu tinha que fazer estas duas merdas nem que Cristo viesse à terra e me quisesse para santa. F-Q foi um calo. Como os exames de entrada na escola de cozinha eram biologia, F-Q ou economia, pensei "bem, 'bora lá dar-lhe na economia". Estudei em casa, duas semanas antes do exame. Nunca fui a nenhuma aula. Nunca tive explicador. Saí do exame com 15. Matemática? Chumbei.
Voltei para a terrinha. Chorei muito. Mas não porque fosse perder muito da minha vida. A "minha melhor amiga" - puta - ia para o 2º ano da faculdade e ia ter ainda menos tempo para mim. O bode com quem andava aos beijinhos tinha-me ligado a dizer que me tinha posto os cornos na noite algarvia. Não, eu não perdia nada em Lisboa. Apenas chorei porque queria já estar na faculdade. Queria mesmo ter passado a matemática. Porque me esforcei, muito mesmo. Gastei mais de 1000€ em explicações (o que vale é que foi para um amigo e ainda levei muitos descontos). Gastei muito tempo, dedicação, empenho. E sabia a matéria. Mas os azares acontecem.Chorei porque mais uma vez desiludi os meus pais.
Nesse ano na terrinha pouco mudou. Queria ser cozinheira. Queria voltar a morar em Lisboa sozinha. Deixei de falar com a "minha melhor amiga" - puta - e não arranjei enrolanços. Concentrei-me em passar. Passei com 10. Mas passei. Em Julho (espantem-se outra vez) mudei outra vez de sonhos. Porque naquele ano em Lisboa despertaram-me o bicho. E pedi aos meus pais para entrar numa faculdade onde poderia estudar aquilo que ia mesmo ser a minha "profissão". Não podia. Porque o que eu queria, segundo eles, era ser cozinheira. E era cozinheira que ia ser. No dia das candidaturas pensei muito. Pensei "E se....". Mas não fiz o "se". Inscrevi-me na faculdade de hotelaria. Apenas com duas opções. Dia ou noite. Rezei. Rezei muito, pedi a Deus que não me deixasse entrar. Que não tivesse média. Ou vagas. Deus não existe.
Entrei. Conheci o homem da minha vida. Vim para Lisboa. Com o sonho partido fui estudar para vir a ser chef. Desde Novembro que desisti da faculdade. Odiei todos os dias da minha vida por ter entrado naquela faculdade. Odiei não ter clicado naquela área que eu queria. Adoeci. Muito. Fisica e mentalmente. E chorei, muito. Porque tinha, mais cedo ou mais tarde, que contar aos meus pais. E desiludi-los. Outra vez. Fi-los gastar dinheiro em vão.
Já contei.
Hoje estou em Lisboa à procura de trabalho. Como se isso fosse possível. Hoje não tenho sonhos. Hoje quando me perguntam "o que é que queres ser?" eu apenas respondo "quero trabalhar".
Hoje quero-me ir embora, quero abrir um negócio num país qualquer. Numa ilha cheia de sol. Podia abrir um bar e vender boas caipiriñas. E tostas. E sumos. E batidos. E gelados. Os melhores do mundo. Mas não posso. Tenho um homem comigo e não tenho dinheiro. Não posso arriscar. Não tenho hipóteses neste país nem fora dele. E por isso penso "então afinal qual é o sentido da vida?". "Afinal o que é que estamos aqui a fazer?". "Porque é que (sobre)vivemos?"
Se souberem a resposta avisem. Ou se souberem de um trabalhinho avisem também.
Desde que me lembro já quis ter quase todas as profissões. Entre os 4 e os 5 anos queria ser professora, cabeleireira e veterinária. Aos 6 quis ser cantora (lembram-se do post do cd da Daniela Mercury?). Aos 8 voltei a querer ser professora. Foi um desejo tão forte que me juntei a uma amiguinha, pegá-mos em giz e fomos escrever contas na parede da escola. O desejo passou quando 15 minutos depois a sra. "contina" me foi chamar à sala e me obrigou a limpar a parede. Acho que esse trauma me apagou desejos de profissões durante uns anos porque salto agora para os 13 anos. Em que decidi que ia ser educadora de infância. Outra vez tive um desejo tão forte que fui ao jardim infantil da terrinha pedir emprego. Ao que amavelmente me disseram "neste momento não precisamos de ninguém...".
Depois comecei a beijar rapazes e esqueci-me das profissões. Depois pus aparelho e (coincidentemente, claro) voltei a ter tempo para pensar em profissões.
Aos 14 disse que o meu sonho era ser pasteleira. O meu pai torceu o nariz mas aceitou. Mas os meus pais têm um defeito terrível que é "inicias um tema levas com ele até à exaustão". O que levou a que falassem com um amigo de uns amigos para me levar à fabrica de doces regionais da qual ele era dono, para ver o quão
Aos 15, quando passei para o 10º ano, escolhi ciências apesar de ter feito um daqueles testes de aptidões ou lá o que é e me ter dado claramente e com muita vantagem Artes. O que eu queria mesmo, mesmo, mesmo era... ser bióloga marinha. Nadar e fazer festas com os golfinhos (só, porque era mesmo isso que se resumia a minha definição de "bióloga marinha"). Claro que quando temos 15 anos e passamos para o secundário as coisas tornam-se mais sérias do que quando se tinha 5 anos. E o meu pai levou isso muito a sério.
Aos 16, a meio do segundo período do 11º ano comecei a pensar que para nadar e fazer festas aos golfinhos podia pagar 120€ (na altura, nem quero saber quanto será agora) e ir ao Zoomarine. Portanto, será que eu estava mesmo a seguir bem? Ciências, eu que sou um zero a matemática, física-química... Toca a fazer outro teste de aptidão. Que por acaso e com grande vantagem dá... artes! Espantem-se! E o que é que eu decidi? Voltava ao 10º ano, estudava artes e depois logo "enveredava" por um caminho mais propício à minha pessoa. Fui linchada. "Aiii que agora vais mudar! Quase no fim!! E vais desperdiçar dois anos!!". Foi o Daddy e foi a "minha melhor amiga". Aquela que me dizia a gozar e com desdém que os psicólogos só servem para os meninos betinhos e fraquinhos que não sabem resolver os seus problemas sozinhos. Puta.
Continuei em ciências. Não gosto de ferir susceptibilidades. Cheguei ao 12º com 8 a matemática e 8 a física-química (e a vontade de escrever fisicóquimica?). Disse que não ia fazer matemática nesse ano, ia descansar essa disciplina e concentrar-me noutras como a tal F-Q, a biologia que eu até gostava (quando se tem bons professores é impossível não se gostar de determinadas disciplinas), português (o medo, o horror, a tragédia por causa dos exames). Acabei o 12º com 3 a F-Q, 15 a biologia, 13 a Português e boas notas no resto das disciplinas. Implorei aos meus pais para me deixarem vir para Lisboa estudar matemática. É aqui que mora a "minha melhor amiga" - puta. - e a minha vida dependia disso. E porque o que eu queria mesmo, mesmo, mesmo ser era... cozinheira! E como até há uma escola muito boa aqui (AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA - é uma private joke entre mim e os dois últimos anos da minha vida) era já caminho andado para me mudar para cá. Eu morria se não viesse. E os meus pais - os pais mais fixes do mundo - deixaram. Vim morar sozinha aos 17 anos. Inscrevi-me em matemática e F-Q. Eu tinha que fazer estas duas merdas nem que Cristo viesse à terra e me quisesse para santa. F-Q foi um calo. Como os exames de entrada na escola de cozinha eram biologia, F-Q ou economia, pensei "bem, 'bora lá dar-lhe na economia". Estudei em casa, duas semanas antes do exame. Nunca fui a nenhuma aula. Nunca tive explicador. Saí do exame com 15. Matemática? Chumbei.
Voltei para a terrinha. Chorei muito. Mas não porque fosse perder muito da minha vida. A "minha melhor amiga" - puta - ia para o 2º ano da faculdade e ia ter ainda menos tempo para mim. O bode com quem andava aos beijinhos tinha-me ligado a dizer que me tinha posto os cornos na noite algarvia. Não, eu não perdia nada em Lisboa. Apenas chorei porque queria já estar na faculdade. Queria mesmo ter passado a matemática. Porque me esforcei, muito mesmo. Gastei mais de 1000€ em explicações (o que vale é que foi para um amigo e ainda levei muitos descontos). Gastei muito tempo, dedicação, empenho. E sabia a matéria. Mas os azares acontecem.Chorei porque mais uma vez desiludi os meus pais.
Nesse ano na terrinha pouco mudou. Queria ser cozinheira. Queria voltar a morar em Lisboa sozinha. Deixei de falar com a "minha melhor amiga" - puta - e não arranjei enrolanços. Concentrei-me em passar. Passei com 10. Mas passei. Em Julho (espantem-se outra vez) mudei outra vez de sonhos. Porque naquele ano em Lisboa despertaram-me o bicho. E pedi aos meus pais para entrar numa faculdade onde poderia estudar aquilo que ia mesmo ser a minha "profissão". Não podia. Porque o que eu queria, segundo eles, era ser cozinheira. E era cozinheira que ia ser. No dia das candidaturas pensei muito. Pensei "E se....". Mas não fiz o "se". Inscrevi-me na faculdade de hotelaria. Apenas com duas opções. Dia ou noite. Rezei. Rezei muito, pedi a Deus que não me deixasse entrar. Que não tivesse média. Ou vagas. Deus não existe.
Entrei. Conheci o homem da minha vida. Vim para Lisboa. Com o sonho partido fui estudar para vir a ser chef. Desde Novembro que desisti da faculdade. Odiei todos os dias da minha vida por ter entrado naquela faculdade. Odiei não ter clicado naquela área que eu queria. Adoeci. Muito. Fisica e mentalmente. E chorei, muito. Porque tinha, mais cedo ou mais tarde, que contar aos meus pais. E desiludi-los. Outra vez. Fi-los gastar dinheiro em vão.
Já contei.
Hoje estou em Lisboa à procura de trabalho. Como se isso fosse possível. Hoje não tenho sonhos. Hoje quando me perguntam "o que é que queres ser?" eu apenas respondo "quero trabalhar".
Hoje quero-me ir embora, quero abrir um negócio num país qualquer. Numa ilha cheia de sol. Podia abrir um bar e vender boas caipiriñas. E tostas. E sumos. E batidos. E gelados. Os melhores do mundo. Mas não posso. Tenho um homem comigo e não tenho dinheiro. Não posso arriscar. Não tenho hipóteses neste país nem fora dele. E por isso penso "então afinal qual é o sentido da vida?". "Afinal o que é que estamos aqui a fazer?". "Porque é que (sobre)vivemos?"
Se souberem a resposta avisem. Ou se souberem de um trabalhinho avisem também.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
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